Criciúma (SC)
A Associação Empresarial de Criciúma (Acic) e o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) assinaram, nesta quinta-feira (5), no Fórum de Criciúma, um termo de parceria voltado ao fortalecimento de ações de enfrentamento à violência contra a mulher.
O ato integra a campanha “Aqui Não”, movimento estadual lançado pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). A iniciativa amplia o compromisso das entidades empresariais com ações de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
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A campanha surgiu a partir de um convite do Ministério Público para que a Facisc aderisse ao protocolo “Não é Não”. A partir dessa articulação, o movimento passou a incluir ações mais amplas de conscientização e estímulo a mudanças culturais também dentro das empresas. A proposta busca alcançar o ambiente de trabalho, espaço em que grande parte das relações sociais ocorre.
Com a adesão, a Acic passa a integrar a mobilização do setor produtivo regional para incentivar ambientes corporativos mais seguros, ampliar o acesso à informação e apoiar iniciativas de prevenção e acolhimento às vítimas.
O movimento propõe a união entre instituições públicas e privadas para ampliar a disseminação de informações, fortalecer canais de orientação e estimular mudanças culturais no enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa também considera os impactos do tema no ambiente de trabalho e na sociedade.
Setor produtivo
A presidente interina da Acic, Grasiela Moretto, afirma que a iniciativa marca o início de um movimento voltado à ampliação do debate sobre o tema também no setor produtivo.
“O que estamos fazendo aqui é o início de um movimento importante para a nossa região. A Acic entende que essa não é uma realidade isolada e que precisa ser enfrentada. Ao dar visibilidade ao tema, conseguimos compreender melhor o quanto ele também pode estar presente nos ambientes corporativos e fortalecer ações de prevenção”, afirma.
A diretora executiva da Acic, Maria Julita Volpato Gomes, destaca o papel da entidade na mobilização das empresas.
“A Acic tem um papel de mobilização do setor produtivo. Ao aderir a essa iniciativa, conseguimos levar informação e conscientização para muitas empresas da região, ajudando a construir ambientes de trabalho mais seguros e preparados para orientar e apoiar possíveis vítimas”, afirma.
Ações de prevenção
Representando o Ministério Público, o promotor de Justiça Samuel Naspolini afirma que a participação das entidades empresariais contribui para ampliar o alcance das ações de prevenção.
“A adesão da Acic ao protocolo de atuação com o Neavit – Núcleo de Enfrentamento à Violência e Apoio às Vítimas – é importante. O trabalho tem um papel central na vida das pessoas e, com o apoio da entidade, conseguiremos ampliar as ações de conscientização e prevenção junto ao setor produtivo. É um passo para fortalecer o enfrentamento à violência em Criciúma”, afirma.
De acordo com dados do Observatório da Violência Contra a Mulher, entre 2020 e 2024 foram registrados 364.066 crimes de violência contra a mulher, média de 199,6 ocorrências por dia. O levantamento inclui 80.905 casos de lesão corporal, 2.812 estupros e 277 feminicídios.
Conscientização
A mobilização busca conscientizar lideranças e colaboradores sobre diferentes tipos de violência, reforçar que comportamentos abusivos não devem ser normalizados e incentivar as empresas a atuarem na prevenção.
A proposta também prevê o estímulo a ambientes corporativos mais seguros, acolhedores e respeitosos.
Com a assinatura, a Acic passa a integrar formalmente a rede de entidades comprometidas com a campanha. A iniciativa prevê ações de conscientização, capacitações e divulgação de materiais informativos ao longo do ano junto às empresas associadas.
Como parte do projeto, o Ministério Público produziu materiais de conscientização em Língua Portuguesa, Espanhola e Crioula, com o objetivo de ampliar o acesso às informações e aos canais de orientação e apoio para mulheres estrangeiras.
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